Como a conheci a área de Dor
Nunca havia imaginado que meu futuro profissional seria cuidar de pessoas com dores. Minha trajetória começa lá atrás por volta dos 18 anos, quando era um estudante ainda sem perspectiva do que fazer na vida. Venho de uma família de classe média baixa, que não cogitava um futuro que não fosse medicina. Meus pais se dedicaram muito para nos proporcionar a única coisa que realmente entendiam que poderia libertar uma pessoa e garantir um futuro : "conhecimento"; então apesar da inclinação para área de informática e computação, que já me motivava, acabei aceitando o desafio de fazer prova para cursar medicina. Na época não haviam tantas opções de escolas como hoje em dia, então era necessário se diferenciar entre centenas de concorrentes. Já na faculdade (época que tenho saudades), dois professores da disciplina de anestesia me motivaram muito e comecei a gostar e estudar, mas só fui acompanhar para ver se realmente era o que iria seguir por volta do último ano do curso, e a partir daí só segui em frente e cheguei a residência médica, onde tive meu primeiro contato com tratamento de dores agudas e crônicas. Ali comecei a perceber que um dia iria fazer aquilo, mas ainda era um universo muito pequeno . Isto se passou por volta de 2005. Neste mesmo ano fui acometido por uma hérnia de disco na coluna cervical, que me deixou incapacitado para o trabalho por algumas semanas, trocava o dia pela noite devido às dores e sono ruim. Aí tive contato com a acupuntura que também me deixou intrigado, devido ao enorme benefício que me proporcionou.
Quando acabei a Residência médica de Anestesiologia(início de 2008), já iniciei uma pós-graduação de acupuntura Médica na Universidade Ferderal do meu estado e me titulei a seguir (em 2010) mesmo assim ainda trabalhava quase que exclusivamente como anestesista. A "virada de chave" se deu quando comecei a trabalhar em um ambulatório de dor oncológica na instituição em que eu trabalhava como anestesiologista (Hospital Santa Rita de Cássia - ES). A partir dali que realmente me motivou ir além. Certamente mais de 90% das pessoas, tinham suas dores controladas com medicamentos, mas aqueles 10% que persistiam em seu sofrimento não me deixavam confortáveis. Eu já tinha certeza que os fármacos não controlariam ou resolveriam as dores. Então comecei a estudar e buscar alternativas. Em 2015 me titulei em Dor pela Sociedade Brasileira de Anestesiologia / Associação Médica Brasileira e comecei a buscar cursos, formações diversas que me completassem na abordagem de meus pacientes. Acabamos "surfando uma onda" de crescimento da "Dor" enquanto área de atuação médica no Brasil. Tive oportunidade de passar por excelentes centros de formação como a Clínica Singular em Campinas-SP (hoje conhecida como Sinpain) e o Orthoregen (expoente de formação em medicina regenerativa) além de outros, que me proporcionaram maior densidade de conhecimento e diferenciação como um especialista em Dor.


Área de Dor no Espírito Santo
No estado do Espírito Santo, até junho de 2026, estavam registrados 33 profissionais médicos com área de atuação em dor, destes seguramente alguns não atuam regularmente na área ou têm maior atuação fora do estado. A estatística aponta como formação principal 17 anestesiologistas, 09 neurocirurgiões, 02 ortopedistas, 02 acupunturiatras, 01 clínico, 01 reumatologista, e 01 pediatra. E por que é importante saber isto? Assim como em qualquer área da medicina o conselho Federal de Medicina e as Sociedades de especialidades, recomendam a escolha de profissionais com referência e titulação compatíveis com a área que exercem, visando minimizar riscos e atingir melhores resultados. Mas será que só isto é suficiente para a escolha de um médico para tratar sua dor? Certamente NÃO. A empatia, caráter, e preocupação com o resultado fazem diferença. Sempre lembro que dor é somente um componente quando falamos em "qualidade de vida".
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